• Catarina Correia

A memória do feto - 2

Na última publicação falámos sobre a aprendizagem intra-útero através das memórias celulares ativadas pelos neuropeptídeos presentes nas células cardíacas. Recomendo que inicie a sua leitura por essa publicação, caso ainda não a tenha feito.


Hoje vamos falar da aprendizagem intra-útero recorrendo a um outro sistema, o SARA (sistema ativador reticular ascendente). De forma simples, é a área do cérebro que determina a atenção e o foco para uma determinada coisa. É esta área que define que neste momento a tua atenção vai para a leitura deste texto e não para, por exemplo, focares a tua atenção no bater do coração.


Simplesmente funciona como um filtro. O SARA filtra o que é mais importante focar. Se estivéssemos sempre atentos a tudo, o mais provável seria enlouquecermos, pois são demasiados estímulos. Outro exemplo é, estamos todos vestidos, mas não passamos o dia a sentir a roupa do nosso corpo, há uma altura em que o cérebro desliga e só volta a focar na roupa caso haja algo diferente, como por exemplo uma etiqueta que está a incomodar.


Mas, o que é que isto tem a ver com a aprendizagem fetal? Tudo!

Aquilo pelo que grávida passa com o feto durante a gravidez e que seja impactante vai criar memórias inconscientes. Essas memórias poderão ser positivas ou negativas e poderão passar para o feto.


Imaginem o seguinte, uma grávida sofre um atropelamento quando estava a atravessar a rua, dentro da passadeira, e é atropelada por uma mota vermelha. Naturalmente é ativado uma memória negativa sobre aquele momento, e é normal que sempre que esteja a atravessar a rua numa passadeira e ouça o barulho de uma mota a aproximar-se fique mais preocupada e alerta. É este sistema que identifica aquele momento como perigoso e com necessidade de maior atenção. Isto acontece porque aquela memória ficou gravada naquela mulher e possivelmente no seu bebé. É puro mecanismo de defesa.


Nos dias de hoje já é possível compreender a associação de traumas intra-útero com perturbações emergentes enquanto criança ou na vida adulta:


· Problemas de aprendizagem

· Défices cognitivos

· Tendência para quadros depressivos

· Tendência para isolamento


Mas podemos também ensinar o feto de forma a criar vivências positivas. Complicou?

Não, é muito simples. Na próxima publicação vou explicar o reflexo condicionado e como vocês, gravidínhas, podem usar isso a favor do vosso bebé.




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