• Catarina Correia

Programa (in)fertilidade 2019/2020

Em junho 2019 abrimos as candidaturas para 3 intervenções pro bono no nosso programa de (in)fertilidade. Durante o mês de julho foram realizadas sessões de avaliação de todos os candidatos ao programa.

Seleção dos casos

A seleção teve em consideração a idade, patologia, quadro sindromático, nº de anos em que o casal se encontrava no percurso como tentantes e acompanhamento ou procedimentos de procriação medicamente assistida já efetuados ou agendados nos meses seguintes.

Resultados obtidos:

Dos 3 casos que integraram o programa, resultaram: uma gravidez gemelar (espontânea), uma gravidez única (PMA) e um caso sem sucesso*.

Candidatas:

Foram avaliadas 4 candidatas (todas do sexo feminino): A, B, C e D.

Caso A:

A candidata A iniciou o protocolo, porém, por motivos profissionais, tornou-se incompatível a continuidade dos tratamentos e os mesmos ficaram suspensos no início de setembro. Para o seu lugar entrou a candidata D, que ficou avaliada como o 4º caso de maior interesse.


Caso B:

  • 37 anos

  • Nº de anos como tentante: 7 anos (2013)

  • Nº de abortos: 4 (entre 2010 e 2016)

  • Desde 2016 não voltou a engravidar

  • Seguida em PMA desde maio 2019 com IIU (negativo), em Outubro 2019 fez FIV (negativo) e Fevereiro 2020 (positivo)

  • Sinais e sintomas: trombofilia, faz hematomas com facilidade, TPM, irritabilidade na ovulação e menstruação, menstruação escura e com coágulos, abortos de repetição, nódulos mamários.

Resumo: A paciente iniciou as tentativas para engravidar em 2013 e apresentava um histórico de abortos de repetição (espontâneos e retidos), gravidez anembrionária, tendo sofrido quatro abortos entre 2010 e 2016. Desde 2016 não voltou a engravidar. Iniciou acompanhamento de PMA (Procriação medicamente assistida) por infertilidade sem causa aparente e em Maio 2019 submeteu-se a uma inseminação intrauterina (IIU), com resultado negativo.


Em setembro de 2019 iniciámos o protocolo de fertilidade com acupuntura e fitoterapia. Dois meses depois, em novembro 2019, recorreu à técnica de fertilização in vitro (FIV), porém ainda apresentava um quadro muito instável e o resultado foi negativo.


Continuámos os tratamentos até fevereiro de 2020. Todo o protocolo foi realizado de forma a otimizar os resultados considerando o tratamento por FIV, e em fevereiro o quadro já se encontrava bem mais equilibrado. Sintomas como enxaquecas no período pré-menstrual tinham desaparecido, já não apresentava coágulos durante a menstruação e a irritabilidade frequente já não se encontrava tão presente.


Ao contrário da FIV anterior, realizámos tratamento de acupuntura pré e pós-transferência, alterámos algumas questões alimentares, fitoterapia e chás.


Resultado: Após 7 anos de tentativas, o tão esperado positivo surgiu. Vem a caminho uma linda menina.

Caso C:

  • 41 anos

  • Nº de anos como tentante: 3 anos (2017)

  • Seguida em PMA pelo SNS desde 2018, não avançou para tratamento dada a baixa reserva ovárica

  • Sinais e sintomas: TPM; Depressão; Irritabilidade aquando a ovulação e período pré-menstrual; cólicas menstruais; fluxo menstrual escasso; ciclos menstruais irregulares e prolongados; secura vaginal; obstipação; baixa reserva ovárica.

Resumo: A paciente iniciou as tentativas para engravidar em janeiro de 2017, realizou acompanhamento médico com terapia hormonal e em janeiro do ano seguinte começou a estimulação hormonal para avançar para FIV. No entanto, considerando a baixa reserva ovárica, o médico especialista decidiu que não seria uma candidata responsiva, mesmo recorrendo a FIV.


Abandando a PMA, continuou a tentar de forma natural, mas sem obter o resultado pretendido. Após a estimulação iniciou sintomas de pré-menopausa apresentando afrontamentos, ciclos irregulares e prolongados, fluxo menstrual presente durante dois dias, entre outros sintomas.


Com os tratamentos de MTC a paciente aumentou o fluxo menstrual de 2 dias para 6 dias (3 de fluxo intenso + 3 de fluxo reduzido), o ciclo regulou fixando-se nos 30 dias.

Em janeiro 2020 cessamos os tratamentos devido a problemas pessoais por parte da paciente que impossibilitavam diretamente a possibilidade de alcançar uma gravidez espontânea.


Resultado: Abandono do tratamento por motivos pessoais, alheios ao tratamento.

Caso D:

  • 39 anos

  • Nº de anos como tentante: 2 anos (2017)

  • Seguida em PMA pelo SNS desde 2018.

  • Sinais e sintomas: calor nas mãos e nos pés; suor noturno; insónia; pele seca e secura vaginal; ausência de muco cervical na ovulação; tendência para obstipação; acne no período pré-menstrual; sede com vontade de beber coisas geladas;

Resumo: A paciente iniciou este percurso em 2017, tendo alcançado duas gravidezes: uma anembrionária e um aborto retido às 11 semanas. Desde então não voltou a engravidar e começou a ser seguida por especialista em PMA no SNS.


Em setembro iniciámos os tratamentos, lembro-me do desanimo e da tristeza desta paciente. O medo de não conseguir ser mãe era avassalador. Recordo-me que na segunda sessão, ao avaliar o pulso, gostei muito do que senti. A primeira sessão foi realizada no período ovulatório, só precisámos de um empurrão para que a vida acontecesse. E para nossa surpresa, não gerou só uma vida mas sim duas!


Exatamente na mesma altura iria iniciar o tratamento de PMA, que devido à gravidez foi cancelado.

Resultado: gravidez gemelar (espontânea).




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