• Catarina Correia

Xenobióticos, xenoestrogénios e a fertilidade


Xenobióticos são substâncias estranhas à vida (xenos = estranho e biótico=vida).

Basicamente falamos de todas as substâncias estranhas, que não são produzidas pelo organismo e não apresentam nenhum contributo nutricional.


Nem sempre os xenobióticos apresentam uma origem química industrial, por vezes podem ser de origem animal (como o veneno de uma cobra).


Mas qual é o grande problema dos xenobióticos?


O problema é a imensa quantidade que todos os dias são produzidas, com substâncias já desenvolvidas e novas substâncias, de produtos xenobióticos criados de forma artificial e que são consumidos diariamente, acumulando-se no ambiente intrauterino e que podem ficar no organismo por mais de 30 anos.


Existem xenobióticos difíceis de serem degradados e muitas vezes ocorre o mecanismo de acúmulo destas substâncias, chamamos de bioacumulação ou biomagnificação (que é um mecanismo ainda mais lesivo).


A biomagnificação ocorre quando avançamos na cadeia alimentar e a cada etapa a toxicidade aumenta. Por exemplo: imagina que um pequeno peixe alimenta-se de uma alga presente numa ria, que por sua vez, está contaminada, a concentração que existia na alga era baixa, mas quando ingerida pelo pequeno peixe aumenta. Agora esse pequeno peixe é ingerido por um peixe maior, a concentração ainda aumenta mais. E este peixe ainda é consumido por outro ainda maior. Com o desenrolar da cadeia alimentar a concentração é muito maior do que a que estava presente na alga. Agora adivinhem, quem é que vai comer o peixe? Nós! Já ouviram falar que quanto maior o peixe, maior é o nível de toxicidade? É isto que acontece muitas das vezes.


E se ingerirmos peixe de aquacultura, este risco está controlado? Não, muito pior! Normalmente o ambiente e as rações utilizadas para o crescimento rápido desses peixes acabam por serem muito prejudiciais também.


E antes que perguntem, não acontece só com o peixe, acontece também com os animais que ingerem rações e plantas que contêm estas substâncias. E sim, também com os vegetais que ingerimos.


Existe uma categoria de xenobióticos que são extremamente prejudiciais para a fertilidade, os xenoestrogénios (o significado literal é “estrogénio estranho”). Muitas vezes são conhecidos como desreguladores endócrinos compostos (EDC).


Os EDC categorizados como um dos grupos poluentes de maior risco ambiental e apresentam como consequências alterações no aparelho reprodutor, malformações fetais e alterações de humor (consequência da desregulação do sistema hormonal). E isto leva a diversas consequências.


Alguns estudos apontam que a diminuição da qualidade dos espermatozóides pode dever-se à exposição a xenoestrogénios, ainda no útero materno. Para além disso, o crescimento de casos de cancro da mama e de próstata têm sido muito associados ao aumento do consumo de EDC.


Mas vamos à componente prática. Lista de xenoestrogénios mais comuns:


· 4-MBC (protetores solares)

· Hidroxianisolbutilado / BHA (conservante alimentar)

· Atrazina (agrotóxico)

· Bisfenol A (plásticos e resinas epóxi; atenção aos biberões)

· DDT (pesticida)

· Diclorodifenildicloroetileno (um dos produtos resultantes da decomposição do DDT)

· Dieldrín (agrotóxico)

· Endosulfano (agrotóxico)

· FD&C Red No. 3 (corante alimentar)

· Etinilestradiol (pílula contraconceptiva oral)

· Heptaclor (agrotóxico)

· Lindano/hexaclorociclohexano (agrotóxico)

· Metaloestrógenos (metais tóxicos)

· Metoxiclor (agrotóxico)

· Bifenilospoliclorados/PCBs (lubrificantes, adesivos, pinturas)

· Parabenos (cremes)

· Ftalatos (plásticos moles, verniz para unhas, perfume)

· DEHP (é um dos ftalatos mais perigosos; plásticos, brinquedos)


Existem imensas apps para perceber o grau de toxicidade dos produtos. Assim o trabalho é facilitado e não precisa de decorar a lista antes de sair de casa. Recomendo o https://www.ewg.org/skindeep/#.WmC4NZM-eV4


A vida desenfreada que levamos e a evolução química industrial está a levar o nosso corpo a níveis de toxicidade que não são seguros. O melhor que podemos fazer, em questões alimentares, é iniciar um plano com base numa alimentação mais orgânica, biológica e saudável. Tem atenção ao que aplicas na tua pele, não te esqueças que é o maior órgão que tens e ele também absorve o que nele aplicas.


O nosso estilo de vida define a nossa saúde, mas também das gerações futuras (como referido numa publicação anterior, o impacto vai até à 3ª geração). Por isso, as tuas decisões de hoje vão afetar diretamente os teus netos, e consequentemente os netos deles, e por aí fora.


A decisão é tua.






Fontes: Dietadafertilidade (BR); Ativosaude; E-cycle; EWG’s, 20210210

LINKs:10.02.2021

#xenobioticos #xenoestrogénios #contaminaçãobiológica

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